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Como construir e configurar um PABX com software livre
Abordando a versão 1.4
Flavio E. Gonçalves
Terceira Geração
1º. Edição/Janeiro/2007
rev. 8.3
Florianópolis-SC-Brasil/2006
Copyright 2005© por Flavio E. Gonçalves
Todos os direitos reservados
Capa: Karla Braga
Revisão: Guilherme Waltrick Goes

atendimento oops@asteriskguide.com
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste livro.
Esta é a terceira geração do eBook Asterisk Guia de Configuração, a primeira foi lançada em março de 2005. Fiz o teste do dCAP da Digium em Maio de 2006 e tive o privilégio de passar na primeira tentativa, o livro ajudou bastante, apenas dois dos vinte alunos do Asterisk Bootcamp passaram no dCAP. O material contido neste livro tem quase tudo referente ao teste. O principal objetivo desta revisão foi a atualização para a versão 1.4, contudo o leitor pode se deparar com exemplos referentes às versões anteriores.
A forma de comercialização do livro também mudou, privilegiando os eBooks. Estes possuem diversas vantagens, a primeira é ecológica, evitar o uso do papel. Outros pontos que posso citar são a facilidade de transporte e pesquisa associada ao documento eletrônico armazenado dentro de um “laptop” ou “pendrive”. A parte ruim fica por conta da pirataria, que tento minimizar com uma tarja cinza como fundo do livro. Sei que é difícil combater a pirataria e vai da consciência de cada um.
O Asterisk PBX é revolucionário nas áreas de telefonia IP e PABX baseado em software. Durante anos, o mercado de telefonia foi ligado a equipamentos proprietários, fabricados por grandes companhias. A convergência de dados e voz, em pouco tempo vai fazer com que a telefonia seja apenas mais uma aplicação das redes, tornando os atuais equipamentos PABX obsoletos. Com a entrada do Asterisk, mais e mais empresas poderão experimentar recursos como URA - Unidade de Resposta Audível, DAC – Distribuição Automática de Chamadas, mobilidade, correio de voz e conferência, antes restritas a poucos usuários.
Não tive a pretensão de ensinar tudo que existe sobre o Asterisk, pois isto seria muito difícil. Minha proposta neste material é proporcionar ao leitor acesso aos principais recursos e a partir deles descobrir e implementar recursos mais avançados. Eu espero que vocês se divirtam tanto, aprendendo o Asterisk quanto eu me diverti escrevendo sobre ele.
Flávio Eduardo de Andrade Gonçalves
Diretor Geral
V.Office
Networks
flavio@asteriskguide.com
Tenho aqui que agradecer à minha família pela paciência de me ver trabalhando as madrugadas e fins de semana, para que este material pudesse ser escrito.
Da equipe técnica gostaria de ressaltar Karla Braga pelas fotos e capa.
Agradeço aos revisores Guilherme Waltrick Góes e Davi Lima que fizeram a revisão da terceira edição logo após as diversas mudanças que fizemos na versão em inglês e para versão 1.4.
Ao Luis Flávio Gonçalves, pela revisão da versão em inglês e pelas dicas, muitas das quais foram aproveitadas nesta versão.
A Ana Cristina Gama pela ajuda com as publicações impressas e a logística.
Várias designaçãoes são marcas registradas. Onde as encontramos e pudemos identificar elas começam com letras maiúsculas. As marcas Digium, Asterisk, IAX e DUNDi, são marcas registradas da Digium Inc. Este trabalho não é patrocinado nem endossado pela Digium Inc.
Todos as pessoas que eu conheço detestam ser criticadas. Eu não me excluo desse grupo, mas gostando ou não, as críticas quando construtivas são a melhor forma de evolução e melhoria constante. Este livro e o curso no qual se baseia tiveram um grande “feedback” de alunos e leitores durante os anos de 2005 e 2006. Os capítulos de bilhetagem e uma abordagem mais profunda de AMI e AGI contida no capítulo quatorze foram sugestões de usuários. Outra sugestão acatada foi o uso de placas digium e configuração real nos cursos.
Por mais que nos esforcemos, sempre existêm erros de grafia e conteúdo. Ficamos agradecidos a qualquer um que os aponte e nos permita corrigi-los. Erros podem ser comunicados em:
oops@asteriskguide.com
Introdução ao Asterisk.................................................... 1
1.1 Objetivos do capítulo......................................................... 1
1.2 O que é o Asterisk............................................................... 1
1.3 Porque o Asterisk?............................................................. 5
1.4 Arquitetura do Asterisk..................................................... 7
1.5 Visão geral do Asterisk.................................................... 11
1.6 Diferenças entre o velho e o novo mundo........................ 11
1.7 Construindo um sistema de teste..................................... 13
1.8 Cenários de uso do Asterisk............................................. 14
1.9 Encontrando informações e documentação do Asterisk. 19
1.10 Resumo............................................................................. 20
1.11 Questionário................................................................... 21
Baixando e instalando o Asterisk.............................. 23
2.1 Objetivos do capítulo....................................................... 23
2.2 Hardware Mínimo............................................................... 23
2.3 Escolhendo uma distribuição do Linux............................ 25
2.4 Instalando o Linux para atender ao Asterisk.................. 26
2.5 Preparando o Debian para o Asterisk............................... 36
2.6 Obtendo e compilando o Asterisk..................................... 38
2.7 Iniciando e parando o Asterisk........................................ 40
2.8 Diretórios de instalação do Asterisk.............................. 41
2.9 Arquivos de log do Asterisk e rotação de logs,............. 42
2.10 Iniciando o Asterisk usando um usuário diferente de root. 43
2.11 Considerações sobre a instalação do Asterisk............. 44
2.12 Resumo............................................................................. 45
2.13 Questionário................................................................... 46
Primeiros passos............................................................. 48
3.1 Objetivos do capítulo....................................................... 48
3.2 Gramática dos arquivos de configuração........................ 48
3.3 Gramática.......................................................................... 49
3.4 Configurando uma interface com a rede pública ou um PABX 50
3.5 Configuração dos telefones IP SIP................................... 52
3.6 Introdução ao plano de discagem.................................... 54
3.7 Criando um plano de discagem simples............................. 59
3.8 Laboratório....................................................................... 63
3.9 Resumo............................................................................... 64
3.10 Questionário................................................................... 65
Canais Analógicos e Digitais......................................... 67
4.1 Objetivos........................................................................... 67
4.2 Conceitos básicos............................................................. 67
4.3 Interfaces de acesso a rede pública................................. 69
4.4 Usando Interfaces FXS, FXO e E+M..................................... 70
4.5 Linhas digitais E1/T1.......................................................... 73
4.6. Configurando um canal de telefonia no Asterisk........... 76
4.7 Opções de configuração do arquivo zapata.conf............ 88
4.8 Configurando MFC/R2......................................................... 94
4.9 Nomenclatura dos canais ZAP......................................... 109
4.10 Nomenclatura dos canais Unicall................................. 110
4.11 Resumo........................................................................... 110
4.12 Questionário.................................................................. 111
Voz sobre IP..................................................................... 113
5.1 Objetivos......................................................................... 113
5.2 Benefícios da voz sobre IP.............................................. 113
5.3 Arquitetura do Asterisk e voz sobre IP.......................... 114
5.4 VoIP e o Modelo OSI......................................................... 116
5.5 Como escolher um protocolo......................................... 117
5.6 Conceito de Peers, Users e Friends................................. 119
5.7 Codecs e conversão de Codecs........................................ 120
5.8 Como escolher o CODEC................................................... 121
5.9 Overhead causado pelos cabeçalhos.............................. 122
5.10 Engenharia de tráfego................................................... 123
5.11 Estratégias de redução do uso de banda passante....... 127
5.12 Resumo........................................................................... 129
5.13 Questionário.................................................................. 130
O Protocolo IAX.............................................................. 133
6.1 Objetivos do Capítulo..................................................... 133
6.2 Teoria de operação.......................................................... 133
6.3 Uso de banda passante.................................................... 134
6.4 Nomenclatura dos canais................................................ 135
6.5 Cenários de uso............................................................... 136
6.6 Autenticação no IAX........................................................ 145
6.7 Configuração do arquivo iax.conf................................. 151
6.8 Comandos de depuração do IAX2...................................... 153
6.9 Resumo............................................................................. 157
6.10 Questionário.................................................................. 158
O protocolo SIP.............................................................. 161
7.1 Objetivos......................................................................... 161
7.2 Visão geral...................................................................... 161
7.3 Cenários avançados na utilização do SIP....................... 168
7.4 Configurações Avançadas............................................... 174
7.5 SIP NAT Traversal............................................................. 178
7.6 Limitações do SIP............................................................. 183
7.7 Dial strings utilizadas com o SIP................................... 183
7.8 Comandos SIP na linha de comando................................. 183
7.9 Resumo............................................................................. 184
7.10 Questionário.................................................................. 185
Recursos básicos do plano de discagem................ 187
8.1 Objetivos do capítulo..................................................... 187
8.2 Estrutura do arquivo extensions.conf.......................... 187
8.3 Contextos........................................................................ 189
8.4 Extensões......................................................................... 190
8.5 Variáveis.......................................................................... 194
8.6 Expressões....................................................................... 197
8.7 Funções............................................................................ 198
8.8 Aplicações........................................................................ 200
8.9 Construindo um plano de discagem................................ 205
8.10 Criando um plano de discagem simples.......................... 208
8.11 Lógica dentro do plano de discagem............................. 210
8.12 Resumo........................................................................... 211
8.13 Questionário.................................................................. 212
Recursos avançados do plano de discagem.......... 215
9.1 Objetivos......................................................................... 215
9.2 Recepção de chamadas com uma URA................................ 215
9.3 Inclusão de contextos.................................................... 220
9.4 Encaminhar chamadas para outro servidor Asterisk..... 222
9.5 Ordem de processamento do plano de discagem............. 222
9.6 O comando #INCLUDE........................................................ 223
9.7 Macros............................................................................. 223
9.8 Asterisk Data Base........................................................... 224
9.9 Contextos baseados em horário..................................... 227
9.10 Utilização do DISA......................................................... 229
9.11 Limitação de ligações simultâneas............................... 229
9.12 Laboratório – Implementação de um PABX...................... 230
9.13 Resumo........................................................................... 233
9.14 Questionário.................................................................. 235
Utilização de funções típicas de um PABX............... 237
10.1 Objetivos........................................................................ 237
10.2 Suporte aos recursos de PABX....................................... 237
10.3 Transferência de chamadas (Call Transfer).................. 242
10.4 Estacionamento de chamadas........................................ 243
10.5 Captura de chamadas (Call pick-up)............................... 244
10.6 Conferência (Call Conference)....................................... 245
10.7 Gravando uma ligação................................................... 249
10.8 Música em espera (Music on Hold)................................. 250
10.9 Mapas de aplicações....................................................... 253
10.10 Resumo.......................................................................... 253
10.11 Questionário................................................................ 254
DAC Distribuição automática de chamadas............ 255
11.1 Objetivos........................................................................ 255
11.2 Visão geral..................................................................... 255
11.3 Arquitetura de um DAC................................................... 256
11.4 Aplicações relacionadas a DAC...................................... 259
11.5 Configuração................................................................. 261
11.6 Operação da fila............................................................ 264
11.7 Recursos avançados...................................................... 264
11.8 Resumo........................................................................... 266
11.9 Questionário.................................................................. 267
O Correio de voz............................................................. 269
12.1 Objetivos........................................................................ 269
12.2 A aplicação voiceMail().................................................. 269
12.3 Configuração................................................................. 270
12.4 Enviar uma mensagem de voz para o e-mail.................... 272
12.5 Interface web para o voicemail..................................... 273
12.6 Notificações do voicemail............................................. 274
12.7 A aplicação directory().................................................. 275
12.8 Resumo........................................................................... 276
12.9 Questionário.................................................................. 277
Bilhetagem no Asterisk................................................ 279
13.1 Objetivos:....................................................................... 279
13.2 Formato dos bilhetes do Asterisk................................. 279
13.3 Códigos de conta e contabilização automática........... 280
13.4 Métodos de armazenamento do CDR............................... 281
13.5 Alterando o formato da bilhetagem.............................. 283
13.6 Aplicações e funções relacionadas a bilhetagem......... 283
13.7 Autenticação de Usuários............................................. 284
13.8 Usando as senhas do Correio Eletrônico..................... 285
13.9 Resumo........................................................................... 285
13.10 Questionário................................................................ 286
Integração do Asterisk usando AGI e AMI............... 289
14.1 Objetivos deste capítulo............................................... 289
14.2 Principais formas de estender o Asterisk..................... 290
14.3 Estendendo o Asterisk através do console.................. 290
14.4 Estendendo o Asterisk usando o aplicativo System()... 290
14.6 O que é o AMI.................................................................. 291
14.7 Configurando
usuários, permissões e fazendo login... 292
14.8 Asterisk Manager
Proxy................................................. 296
14.9 Asterisk Gateway Interface........................................... 298
14.10 Alterando o código fonte............................................ 303
14.11 Resumo.......................................................................... 304
14.12 Questionário................................................................ 305
Asterisk Real-Time.......................................................... 307
15.1 Introdução..................................................................... 307
15.2 Objetivos deste capítulo............................................... 307
15.3 Modo de funcionamento do Asterisk Real Time............. 308
15.4 Laboratório 1: Instalando o Asterisk Real/Time........... 308
15.5 Configurar o Asterisk Real Time.................................... 309
15.6 Configuração da base de dados..................................... 311
15.7 Laboratório 2 – Instalar o banco e criar as tabelas... 313
15.8 Laboratório 3 – Configurar e testar o ARA................... 315
15.9 Resumo........................................................................... 317
15.10 Questionário................................................................ 318
Onde encontrar mais informações.......................... 321
Resposta dos Exercícios.............................................. 323
Respostas do Capítulo 1....................................................... 323
Respostas do Capítulo 2....................................................... 325
Respostas do Capítulo 3....................................................... 326
Respostas do capítulo 4....................................................... 328
Respostas do Capítulo 5....................................................... 330
Respostas do Capítulo 6....................................................... 332
Respostas do Capítulo 7....................................................... 333
Respostas do Capítulo 8....................................................... 335
Respostas do Capítulo 9....................................................... 337
Respostas do Capítulo 10...................................................... 339
Respostas do Capítulo 11...................................................... 339
Respostas do Capítulo 12...................................................... 341
Respostas do capítulo 13...................................................... 343
Respostas do capítulo 14...................................................... 344
Respostas do capítulo 15...................................................... 346
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O Asterisk PBX é um poderoso software que permite transformar um ordinário PC em uma poderosa central telefônica multiprotocolo. Neste capítulo, você aprenderá sobre as possibilidades que o Asterisk pode lhe proporcionar, um pouco sobre a sua arquitetura básica.
O Asterisk é um software de PABX que usa o conceito de software livre. Ele é licenciado através de uma licença do tipo GPL – Gnu Public License. A Digium, empresa que promove o Asterisk, investe em ambos, o desenvolvimento do código fonte e em hardware de telefonia de baixo custo que funciona com o Asterisk. O Asterisk opera sobre uma plataforma Linux ou outras plataformas Unix com ou sem hardware conectando à rede pública de telefonia.
O Asterisk permite conectividade em tempo real entre a rede pública de telefonia e redes VoIP. A rede pública de telefonia é frequentemente referida pela sua sigla em inglês PSTN (Public Switched Telephony Network).
O Asterisk é muito mais que um PABX padrão. Com ele você não apenas tem um excepcional upgrade do seu PABX “convencional”, como também adiciona novas funcionalidades a ele, tais como:
· Conectar colaboradores trabalhando de casa com o PABX do escritório sobre conexões de banda larga.
· Conectar escritórios em vários estados sobre IP. Isto pode ser feito pela Internet ou por uma rede IP privada.
· Dar aos funcionários correio de voz, integrado com a “web” e seu e-mail.
· Construir aplicações de resposta automática por voz, que podem conectá-lo ao sistema de pedidos, por exemplo, ou ainda outras aplicações internas.
· Dar acesso ao PABX da companhia para usuários que viajam, conectados sobre VPN de um aeroporto ou hotel.
· E muito mais...
O Asterisk inclui muitos recursos que só eram encontrados em sistemas de mensagem unificada “topo de linha” como:
· Música em espera para clientes esperando nas filas, com suporte a streaming de media, bem como música em formato MP3.
· Filas de chamada onde agentes de forma conjunta atendem as chamadas e monitoram a fila.
· Integração com softwares para a sintetização da fala (text to speech).
· Registro detalhado de chamadas (call detail records) para integração com sistemas de tarifação e bancos de dados SQL.
· Integração com reconhecimento de voz (automatic speech recognition).
· A habilidade de interfaceamento com linhas telefônicas normais, ISDN em acesso básico (2B+D) e primário (30B+D).
A Digium é baseada em Huntsville, Alabama, ela é a criadora e desenvolvedora primária do Asterisk, o primeiro PABX de código aberto da indústria. Quando usado em conjunto com as placas de telefonia PCI, ele oferece excelente relação custo/benefício para o transporte de voz e dados sobre arquiteturas TDM, comutadas e redes baseadas no protocolo IP.
A Digium é hoje é a principal patrocinadora do Asterisk e uma dos líderes na indústria de PABX em código aberto. Mark Spencer é o criador e principal mantenedor do Asterisk. Ele é hoje admirado pelo grande trabalho que fez e pela responsabilidade que carrega.
A Digium oferece o Asterisk em três tipos de licenciamento:
· Asterisk GPL (GNU Public License). A licença GPL é a mais encontrada, ela permite que você use e altere o código. A restrição existente é que quaisquer alterações no código fonte têm de ser redistribuídas. Em outras palavras, se você altera o código fonte do Asterisk tem de fornecer as modificações.
· Asterisk Business Edition. É uma licença comercial do Asterisk. Ela não possui recursos adicionais em comparação com a versão GPL, com exceção da proteção contra cópia. A grande vantagem da licença comercial é para desenvolvedores que não desejam abrir o código fonte de seus produtos e não podem ou não querem usar a versão GPL.
· Asterisk OEM. Foi criado para fabricantes de centrais telefônicas que não desejam mostrar aos seus clientes que a central é baseada em Asterisk.
O projeto ZAPATA foi conduzido por Jim Dixon. Ele é o responsável pelo desenvolvimento do hardware da DIGIUM. É interessante ressaltar que o hardware também é aberto e pode ser produzido por qualquer empresa. Hoje a placa com quatro E1/T1s é produzida pela Digium, Sangoma e também pela Varion. A história do projeto zapata pode ser vista em:
http://www.asteriskdocs.org/modules/tinycontent/index.php?id=10)
Uma modesta tradução pode ser encontrada abaixo,
Por Jim Dixon
Há 20 ou 25 anos atrás, a AT&T começou a oferecer uma API permitindo aos usuários adicionar funcionalidade a seu sistema de correio de voz e auto-atendimento chamado Audix. O Audix rodava em plataforma Unix e custava como tudo em telefonia até o momento, milhares de dólares por porta com uma funcionalidade bastante limitada.
Em uma tentativa de tornar as coisas possíveis e atrativas (Especialmente para quem não tinha um PABX AT&T) alguns fabricantes vieram com uma placa que podia ser colocada em um PC que rodava DOS e respondia a uma única linha telefônica (FXO apenas). As placas não tinham uma qualidade tão boa quanto as atuais e muitas terminaram como secretárias eletrônicas igualmente ruins.
Novas placas de telefonia foram lançadas com preços muito salgados e as companhias continuaram gastando na faixa de milhares de dólares por porta. Afinal de contas, mesmo com as margens altas de muitos fabricantes, as placas de telefonia possuíam muita capacidade de processamento na forma de DSPs (Processadores de Sinais Digitais). Se você observar ainda hoje um gateway de voz sobre IP, verá que boa parte do custo está relacionada aos DSPs.
No entanto, o poder de processamento dos microcomputadores continuou crescendo. De forma a provar o conceito inicial comprei uma placa Mitel89000C “ISDN Express Development Card” e escrevi um driver para o FreeBSD. A placa ocupou bem pouco processamento de um Pentium III 600Mhz, provando que se não fosse a limitação do I/O (A placa gerenciava de forma ineficiente o I/O exigindo muitos wait-states) ela poderia atender de 50 a 75 canais. Como resultado do sucesso, eu sai e comprei o necessário para criar um novo desenho de cartão ISA que usasse o I/O de forma eficiente. Eu consegui dois T1s (48 canais) de dados transferidos sobre o barramento e o PC gerenciou isto sem problemas. Então eu tinha as placas e ofereci-as para venda (Umas 50 foram vendidas) e coloquei o desenho completo (incluindo arquivos de plotagem da placa) na web.
Como o conceito era revolucionário e sabia que faria ondas na indústria, Eu decidi colocar um nome inspirado no revolucionário mexicano e dei o nome à organização de Emiliano Zapata e decidi chamar a placa de “tormenta”. Assim começou a telefonia ZAPATA. Escrevi um driver completo e coloquei na rede. A resposta que eu obtive foi quase sempre, “ótimo e você tem para Linux?”.
Pessoalmente eu nunca havia visto o linux rodar antes, mas fui rapidamente ao Fry’s (Uma loja enorme de produtos eletrônicos, famosa nos EUA) e comprei uma cópia do Linux Red Hat 6.0. Eu dei uma olhada nos drivers e usei o Vídeo Spigot como base para traduzir o driver de BSD para Linux.
De qualquer forma minha experiência com Linux não era grande e comecei a ter problemas em desenvolver o módulo do kernel na forma de módulos carregáveis. De qualquer forma liberei-o na Net sabendo que algum guru no Linux iria rir dele e talvez me ajudar a reformatá-lo em “Linuquês” apropriado. Em 48 horas eu recebi um e-mail de um sujeito no Alabama (Mark Spencer), que se ofereceu para fazer exatamente isto. Notei apenas que, ele disse que tinha algo que seria perfeito para a coisa toda (O Asterisk).
Neste momento o Asterisk era um conceito funcional, mas não tinha uma forma real de funcionar de forma prática e útil. O casamento do sistema de telefonia Zapata e o desenho da biblioteca de hardware/driver e interface permitiram a ele crescer para ser um PABX real que poderia falar com telefones e linhas reais.
Além disso, Mark era brilhante em VOIP, redes, na parte interna do sistema etc., e tinha um grande interesse em telefones e telefonia, mas tinha experiência limitada em sistemas de telefonia e como eles funcionavam, particularmente na área de interfaces de hardware. Desde o início eu estava e sempre estive lá para ajudá-lo nestas áreas, ambos fornecendo informação e implementando código nos drivers e no switch (PABX). Nós e mais recentemente outros, fizemos um bom time trabalhando em um objetivo comum de trazer o estado da arte em tecnologia de Telecom ao público por um custo realista.
Desde o cartão ISA, eu desenhei o “Tormenta 2 PCI Quad T1/E1, o qual o Mark vende como Digium T400P e E400P, e agora a Varion está vendendo como V400P (Ambos T1 e E1). Todos os arquivos de projeto (incluindo foto e arquivos de plotagem) estão disponíveis em zaptelephony.org (http://www.zapatatelephony.org) para uso público.
Como qualquer um pode ver, com o trabalho dedicado de Mark (um monte do meu e outras pessoas) nos drivers da Zaptel e no software do Asterisk, estas tecnologias que vêm de um longo tempo estão crescendo e melhorando a cada dia”.
Eu me lembro do meu primeiro contato com o Asterisk, a primeira reação ao encontrarmos algo novo que compete com aquilo que conhecemos é rejeitar. Foi o que aconteceu, na primeira vez que vi o Asterisk ele concorria com uma solução que eu estava apresentando, gateway VoIP com 4 portas E1. De qualquer forma, eu sempre procuro levantar todas as informações sobre as alternativas aos projetos que faço e tento descobrir quais os pontos fortes e fracos de uma solução como o Asterisk. Posso dizer que após alguns dias eu fiquei pasmo, sabia que o Asterisk traria uma mudança profunda em todo o mercado de telecomunicações e voz sobre IP. O Asterisk é o Apache da telefonia. Deixe-me então dar várias razões para o Asterisk.
Se você comparar um PABX convencional com o Asterisk talvez a diferença seja pequena, principalmente pelo custo do hardware e dos telefones IP. Entretanto, o Asterisk só pode ser comparado a um PABX digital “estado da arte”. Comparar uma central analógica de quatro troncos e 16 ramais com o Asterisk é no mínimo injusto.
Quando você adiciona recursos avançados como voz sobre IP, URA e DAC, a diferença de custo a menos, pode chegar a diversas vezes. Para dar um exemplo, uma única porta de URA hoje com acesso a um mainframe, cotada recentemente para um cliente nosso, custou pelo menos 10 vezes o preço que custaria com Asterisk.
Este é um dos benefícios mais citados, ao invés de esperar alguém configurar o seu PABX proprietário (alguns nem mesmo dão a senha para o cliente final), configure você mesmo! Total liberdade de configuração e personalização.